
marciodellacella_i
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Sobre
ELEMENTAR
I
Há nesta Cosmogênese um sentido!
As Atlântidas imersas em meu Ser
Não existem apenas para prover
O alcance de um querer incontido!
Os infortúnios revelam-se no ranger...
Dos ossos d’um guerreiro já vencido,
E trazem-lhe ao colo, carcomido,
A lâmina para que lhe possa recoser.
Mas entre aberrações, desordem e caos
Vagueia um laborador do Pensamento,
Na dolente vida de vontades ilusórias.
Pendula entre bons e homens maus
Enleado ao dissabor d’algum intento,
Pelos dédalos das moradas transitórias.
II
No cósmico jardim da Existência,
Onde as férteis Hespérides liriais
Residem sós às luzes astrais,
Floresce a rosa d’minha Consciência.
À sombra cálida de auroras boreais
Fardos da noite refletem a complacência
Do espectro fulgural da Quintessência
Entre os elos dos Princípios Naturais.
E mesmo que as lavras da agonia,
Num exercício calmo, silencioso,
Queiram lançar-me nessa vil batalha...
Hei de sentir na singeleza da Harmonia
E no alvorecer do embevecido gozo,
A paga de um prazer que ainda me valha.
III
Ígneos fachos de saudade, vetores...
Coaguladores inermes de lembranças,
Pela fronteira das desesperanças
Clareiam e serenizam velhas dores.
Nas mesmas vãs e sôfregas heranças
Perdem-se em sonhos os rancores
E adentram-me a carne os despudores
Dos cantos das Musas e suas danças.
Avesso às doutrinas - dogmas perversos -
E às perniciosas danações futuras
Assalta-me o crânio o mesmo ceticismo...
De quando, livre, adstrito aos Universos,
Ziguezagueando entre vias escuras
Logrei Filosofia na vaguidão do Abismo.
Márcio Della-Cella
