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marciodellacella_i

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Data de entrada: 29 de abr. de 2021

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ELEMENTAR


I


Há nesta Cosmogênese um sentido!

As Atlântidas imersas em meu Ser

Não existem apenas para prover

O alcance de um querer incontido!


Os infortúnios revelam-se no ranger...

Dos ossos d’um guerreiro já vencido,

E trazem-lhe ao colo, carcomido,

A lâmina para que lhe possa recoser.


Mas entre aberrações, desordem e caos

Vagueia um laborador do Pensamento,

Na dolente vida de vontades ilusórias.


Pendula entre bons e homens maus

Enleado ao dissabor d’algum intento,

Pelos dédalos das moradas transitórias.


II


No cósmico jardim da Existência,

Onde as férteis Hespérides liriais

Residem sós às luzes astrais,

Floresce a rosa d’minha Consciência.


À sombra cálida de auroras boreais

Fardos da noite refletem a complacência

Do espectro fulgural da Quintessência

Entre os elos dos Princípios Naturais.


E mesmo que as lavras da agonia,

Num exercício calmo, silencioso,

Queiram lançar-me nessa vil batalha...


Hei de sentir na singeleza da Harmonia

E no alvorecer do embevecido gozo,

A paga de um prazer que ainda me valha.


III


Ígneos fachos de saudade, vetores...

Coaguladores inermes de lembranças,

Pela fronteira das desesperanças

Clareiam e serenizam velhas dores.


Nas mesmas vãs e sôfregas heranças

Perdem-se em sonhos os rancores

E adentram-me a carne os despudores

Dos cantos das Musas e suas danças.


Avesso às doutrinas - dogmas perversos -

E às perniciosas danações futuras

Assalta-me o crânio o mesmo ceticismo...


De quando, livre, adstrito aos Universos,

Ziguezagueando entre vias escuras

Logrei Filosofia na vaguidão do Abismo.


Márcio Della-Cella

Direitos autorais do website www.cappazconfraria.com.br,

integralmente, reservados à Confraria Artistas e Poetas pela Paz-CAPPAZ

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