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201ª CIRANDA CAPPAZ – FEVEREIRO/2026

  • há 5 horas
  • 15 min de leitura

01

ABERTURA

CARNAVAL É ALEGRIA

Neneca Barbosa

 

O momento de alegria chegou... É Carnaval!

Tudo parece magia... Festa de muitas cores,

no xadrez, no listrado e no colorido das flores,

estampados nas fantasias... É um belo visual!

 

Todos brincam, pulam, sem pensar no dia a dia,

em meio às serpentinas, máscaras e caras pintadas,

surge o “amor de Carnaval” ... Nas modinhas cantadas,

vão todos seguindo o ritmo dos foliões e da bateria.

 

Carnaval é um tempo de cada mazela esquecer,

ser motivado para despertar a esperança,

romper as amarras, soltar a garganta e voltar a ser criança.

É hora de dançar, gargalhar, sonhar e feliz viver!

 

Neneca Barbosa – João Pessoa, PB

No solo fértil, sim, brote a esperança, (Neneca Barbosa)

regada com bondade e com amor, (Hélio Cabral)

que floresçam brotinhos da mudança, (Salomé Pires)

ao espargir perfume de uma flor. (Neneca Barbosa)

 

Então, ressurge o alerta da lembrança, (Carlos Reinaldo)

que este tempo precisa de mais cor. (Salomé Pires)

Plantemos, sempre, a bem-aventurança, (Hélio Cabral)

no renascer da paz com mais vigor. (Neneca Barbosa)

 

Carrego no meu peito a gratidão, (Salomé Pires)

que guardo em minha alma e me seduz, (Carlos Reinaldo)

ao despertar o amor no coração! (Neneca Barbosa)

 

Janeiro, por favor, vem devagar, (Salomé Pires)

trazendo em seu recesso muita luz, (Carlos Reinaldo)

alimentando a fé no caminhar. (Neneca Barbosa)

 

PARTICIPANTES DA 201ª CIRANDAS – CAPPAZ – TEMA LIVRE

 

Antônio Oliveira (Cardoso) (06)

Conceição Ferreira (09)

Deomídio Macêdo (08)

Dido Oliveira (02)

Lúcia Silva (15)

José Maria de Jesus Raimundo Silva (12)

Josias Moreira de Alcantara (10/11)

Joyce Lima Krischke (13/14)

Neneca Barbosa (01) ABERTURA

Neneca Barbosa (03)

Roseleide Santana de Farias Silva (07)

Sandra Lúcia (04/05)

Sonetistas CAPPAZes (17) ENCERRAMENTO

Terezinha Teixeira Santos (16)

 

02

ESTRELA MAIOR

(Dido Oliveira)

 

Curtir o pôr-do-sol

Não tem coisa melhor / Ele foi descansar

é rápida a sua partida, mas é aqui que sempre fica

a imagem mais constante e bonita

O reflexo dele nos seus olhos

Um mundo inteiro a se admirar

 

Logo, logo ele volta

A noite está posta para descansar

falar do amor maior, do calor do divino sol

do sonho, menina, que sempre está no ar

 

Voltou, amor, voltou

O sol que me traz calor

Voltou, amor, voltou

- Ele voltou!

 

Mas você, que sempre está ao meu lado,

é meu calor, meu lume, meu canto,

meu sol que nunca se põe... Minha estrela maior.

 

03

O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

Neneca Barbosa

 

Quando o ser humano fecha o seu interior,

Fugindo das suas responsabilidades.

Nasce o egoísmo que se faz condutor,

De gerar em sua alma a intranquilidade.

 

Trilha muitas vezes a rota da dor,

Sob o sol causticante queimam seus pés,

Por não aprender que somente o amor,

Livrará sua vida de cada revés.

 

A morte do ego torna-se necessário,

Para o despertamento da consciência,

Que se realiza com o trabalho diário

Conquistado por cada experiência.

 

Sempre vigilante na auto-observação,

Procura as barreiras internas derrubar.

Vai disciplinando sua concentração,

Atos que no dia-a-dia vão desabrochar.

 

Somente através da auto-educação,

Esmera sua luta com boa vontade,

E fantasmas psicológicos cessarão.

Enfim, ele encontrará a felicidade.

 

João Pessoa, PB

 

04

FOLHAS

Sandra Lúcia

 

Meus sonhos! ...

Se pudessem rapidamente ser arrastados,

meus simples versos caminhando com o vento,

para que sejam vivificados

e cheguem aos homens pesarosos.

 

E sirvam sempre de Luz

para clarear as trevas humanas,

cintilando o sorriso de uma criança.

 

Uma folha que não se aproxima

para distante apreciar as razões humanas,

e guiar desanimados.

 

Que sirva de barco para abrigar

os que se perderam em seu próprio mar.

Que sirva de astro para guiar os perdidos

Em seu próprio espaço.

 

E sirva de aroma,

perfume da flor de minha vida,

cujas pétalas são meus sonhos,

e as folhas de Minh ‘alma

arrebatadas para grande altura.

 

05

O SEGUNDO ENCONTRO

Sandra Lúcia

 

Seguindo a voz do firmamento

transponho-me numa canção

sem rima, sem falsos conceitos,

sigo o pleito que chama o coração.

 

Adiante, mais perto de mim,

sinto suave afago que no leito vago

esconde o carmim e embalo-te sonora,

folheando o tempo, o vento, as flores...

 

Vejo a alegria vivendo Minh ‘alma

em sabores... canto, porque a luz

que flui alva corre, corre, sorri

a finda n’alma, a felicidade...

 

do Livro Miragens

 

06

SONHO

Cardoso

 

Quando o sonho é saudade

Chacoalha o coração

Lambuzando corpo e alma

De amor e sedução

 

Você na multidão

Bradando o meu sonhar

Salpicando de paixão

Nosso jeito de amar

 

Se a vida é enredo 

Fantasia o coração

É só ver e enxergar

O lirismo do sonhar

 

Tu vens no sonho forte

Na luz do advento

No cume da esperança

Do lume do momento

 

No beijar e abraçar

O céu é teu lugar

Com estrelas e luar

E nuvens a bailar 

 

Quando aqui tu apear

Reluzindo o meu sonhar

Colorindo os quintais

E tudo que encontrar

 

No seio da caatinga

A flor do maracujá

A luz do candeeiro

E o cheiro do ingá

 

Será o meu maná

Limão e limoeiro

Amada e adorada

Cantiga de ninar

 

Praia chuva sol e mar

Um barco a navegar

Pelas ondas do sonhar

Nas madornas a pescar

 

Tudo isso a debulhar

Em sonhos a recordar

O travesseiro é um rio

De utopia para contar

 

02/2026

 

07

A NOITE

Roseleide Farias.

 

Chegando as sombras da noite

Trazem descanso ao ser vivente

Na noite vejo o brilho de estrelas

A beleza do luar a inspirar poetas

Vem á mim a fresca brisa do mar.

 

Na noite as almas ficam a sonhar

A imaginarem um mundo melhor

Onde só aconteça uma doce Paz

A Serenidade e Justiça venham

Acalmando a cada um coração.

 

Que a noite traga os bons sonhos

Esperança nasça, o Bem prevaleça

A violência se vá para todo sempre

Felicidade seja perene a cada alma

Natureza dê seu grito de Amor, Paz!

 

Cabedelo/PB.

 

08

EVOLUÇÃO, CONSCIÊNCIA E AMOR UNIVERSAL

(Deomídio Macêdo)

 

À proporção que o ser humano evolui, sua empatia para com os animais aumenta gradativamente e, nesse processo de crescimento, ele passa a questionar se é realmente necessário consumir carne animal para sobreviver.

Ao consumir a carne de um animal, deveríamos, em respeito a ele, pedir licença e agradecer por ter cedido o próprio corpo para nos alimentar, reconhecendo que isso ainda decorre de nossa imperfeição moral.

É possível sobreviver sem a carne animal, buscando outros alimentos de origem vegetal que possam suprir os nutrientes necessários. À medida que a consciência se amplia, novas escolhas se tornam viáveis e naturais.

Quando esse momento chegar, estaremos em outro patamar evolutivo, no qual não precisaremos mais tirar a vida de nossos irmãozinhos de caminhada. Então compreenderemos, de forma mais profunda, o amor pleno da luz de Deus, que nos revela que tudo está interligado entre os seres que habitam o planeta Terra.

 

09

O TEMPINHO DE UM IDÍLIO

Conceição Ferreira

 

MEU querubim

 

Por um sem fim de desentendimento entre nós,

Nosso idílio teve esse breve rompimento.

Oh! Como dói esse meu peito!

Dizem que lhe dei motivo sério, porém,

Desistir de você, quem disse que vou?

 

Esse longo tempo juntos, foi-me muito, muito emotivo!

Por isso nem penso em lhe esquecer.

Tenho pleno convencimento que dei tudo de mim,

E consegui lhe ver feliz!

Sei que em breve tempo tem reinício nosso idílio,

Pois só nos demos um tempinho, menos de um mês.

Se quiserem conhecer bem nosso contexto idílio,

Como disse meu gênio: "espere com fé. O tempo tudo resolve ".

Despeço-me retendo seu sorriso terno nos meus tristes olhos.

Quero que pense sempre em mim!

Quero-lhe e isso é definitivo! Sei e sinto, nem escondo de ninguém.

Deus vê que sou sincero. Neste momento   quero seus beijos, seus mimos...

Sei que povoo seus sonhos no seu sono.

Ser ciente disso é enorme deleite.

 

10

EU QUERIA VER MEU MUNDO

Josias Moreira de Alcantara

 

 

Eu queria ver o mundo

Com meu povo mais unido,

Sem ódio como pano fundo

A esconder amor contido,

No abraço que faz sentido.

Cada gesto que a vida

Nos concede por guarida

É caminho pra avançar,

Sem o medo a nos calar

Na jornada tão sofrida.

 

Quero um povo de coragem,

Que não tema o opressor;

Que transforme a própria imagem

Num espelho de valor.

 

Eu queria ver a luz

Do universo florescer,

Transportarmos nossa cruz

Sem temer o amanhecer,

Com direito de viver.

Pois a falsa claridade

É só fogo de vaidade;

É mentira que se espalha,

É veneno que trabalha

Contra toda a humanidade.

 

Quero a força da verdade,

A vencer a escuridão;

Que a luz da humanidade

Se levante em união.

 

Eu queria, de verdade,

Sentir a brisa do vento,

Enfrentar a falsidade

Com firmeza e pensamento,

Avançando cem por cento.

Como um forte e bom soldado

Que caminha preparado

Para a luta que conduz,

Sem temer qualquer abuso,

Por ter sido bem talhado.

 

Quero a paz como bandeira,

Sem recuar ou fugir;

Que a justiça verdadeira

Seja o norte a conduzir.

 

11

SEDUÇÃO SEM LIMITES

Josias Moreira de Alcantara

 

No esconderijo da mente

Muitas vezes procuramos

O desejo incandescente

Nos perfis que já trocamos,

Com palavras que gostamos.

E seguimos a falar,

Sem vontade de parar,

Pois a chama da atração

Se mistura à sedução

Quando o sonho é namorar.

 

Quero sentir teu desejo,

No encanto que vem de ti;

Para encontrar no teu beijo

O que mais guardei em mim.

 

No esconderijo dos lábios

E dos versos sensuais,

Vamos buscando os sábios

Discernimentos vitais

Em toques sentimentais.

Com carícias desejadas,

Nas curvas tão insinuadas,

Quando o encontro dos dois

Não se deixa pra depois

E a paixão abre as estradas.

 

Quero teu toque macio,

Que me chama sem falar;

No calor, sinto arrepio,

Vejo a forma de te amar.

 

No esconderijo da luz

Há um brilho de calor,

Que o organismo conduz

Ao encontro sedutor

De quem busca fazer amor.

Com toques de arrepiar,

Desejos a se juntar

Numa plena sincronia,

Para achar a harmonia

E no amor se deleitar.

 

Quero teu corpo encostado,

No abraço que faz viver;

E o teu sonho misturado

Com o meu jeito de querer.

 

12

NUVENS DE AMOR

José Maria de Jesus Raimundo Silva

 

Nuvens...

São passageiras, correm no céu dias e noites,

Umas pequenas, outras grandes, claras e escuras.

E se olharmos com atenção, poderemos criar em nossas mentes,

Figuras diversas, de animais, aves, ovinis e corações.

Que são presentes no dia a dia.

Anunciam chuvas, que fazem brotar na terra o mundo vegetal.

E trazem a todos alegria.

Está presente nas quatro estações:

Outono, Verão, inverno e primavera.

Nuvens transmitem paz, às vezes saudade e dores.

Mas prevalecem as nuvens de amor, felicidade e sonhos.

Sonhos que brotam da alma de um poeta e sonhador.

Para contagiar as pessoas que o cercam,

Através de palavras, gestos, sorrisos e um aperto de mão.

As nuvens se dissipam, o amor eterniza-se.

 

Varginha/MG

 

13

METADE TERRA, METADE LUA- Marchinha de Carnaval

Joyce Lima Krischke

 

1ª Estrofe

 

Sou metade terra, metade lua,

razão de dia, emoção que flutua.

Um lado pensa, o outro sonha além,

um ama a noite, o outro ama o amanhecer, também.

 

2ª Estrofe

 

Os dois lados querem viver em paz,

mas dia e noite brigam demais!

É luta interna, é confusão,

coração bate fora da razão!

 

Refrão (bem marcante)

 

Sou metade terra, metade lua,

eu vou pra folia, ninguém me segura!

Carnaval! Vou pra lua, vou sim!

Fantasia, alegria, confete sem fim!

 

Sou metade terra, metade lua,

de dia juízo, de noite sou rua!

Carnaval chegou, deixa rolar,

é tempo de rir, cantar e pular!

 

3ª Estrofe

 

Quando é emoção, a lua manda mais,

brilha no peito, não pede jamais.

A terra organiza o dia a dia,

mas é a lua que traz poesia.

 

4ª Estrofe (final)

 

No balanço final, já deu pra entender:

meu lado lua gosta de aparecer.

A terra ajeita, põe o pé no chão,

mas no carnaval quem manda é o coração!

 

Refrão (repete)

 

Sou metade terra, metade lua,

eu vou pra folia, ninguém me segura!

Carnaval! Vou pra lua, vou sim!

Fantasia, alegria, confete sem fim

 

14

BALNEÁRIO CAMBORIÚ

Joyce Lima Krischke

 

1ª Estrofe

 

Balneário Camboriú

Bela praia, céu azul

Mar de ondas muito calmas

Com suas cores esverdeadas


2ª Estrofe


Bela praia... És Balneário Camboriú       

Do Pontal Norte à Barra Sul

À noite um espelho iluminado

Com a luz do luar prateado

 

3ª Estrofe

 

As espumas parecem saias rodadas

Dançando bailados mil

Beijadas pelo sol brilhante

Distribuindo Paz e Bem constante

 

Refrão(repetir)

 

Balneário Camboriú

Bela praia, céu azul

Mar de ondas, de ondas calmas

Com suas cores esverdeadas

 

4ª Estrofe

 

Bela praia... Balneário Camboriú

Do Pontal Norte à Barra Sul

À noite um espelho iluminado

Com a luz do luar prateado

 

Ponte

Abençoada pelo Cristo Luz

Que de braços abertos do alto reluz

Muitos voltam pra fazer seu ninho

Balneário Camboriú recebe com carinho

 

Final (repetir)

 

Balneário Camboriú

 

Bela praia, céu azul...

 

15

MÃOS ORANTES

Lúcia Silva

 

Nas mãos que a água envolve

Há súplica em oração;

Quando a alma se resolve,

Deus visita o coração.

 

No gesto simples e terno,

Brota a luz que nos conduz;

Quem se achega ao Eterno

Sente a paz que vem da Cruz.

 

16

FANDANGO DE SÃO GONÇALO

Por Tereza Santos da Silva

 

Lembro dos momentos lindos que vivi desde criança, na Sociedade Primeiro de Maio, na localidade de Machados, então pertencente ao Município de Itajaí/SC.

 

Não esqueci principalmente a noite em que o salão de baile daquela nova associação foi inaugurado. Nessa ocasião, foi promovido um Fandango de São Gonçalo 1.

 

Aquilo foi inesquecível para mim, especialmente porque se destacou nessa dança uma pessoa

que quero destacar: Seu Belmiro Santiago. Ele era uma figura austera que gostava muito de andar a

cavalo. Também participava de todas as festas populares da comunidade onde ele vivia desde que

nasceu.

 

Entretanto, o que mais o Senhor Santigo apreciava era se envolver em jogos de mesa com seus amigos nos bares do seu lugarejo.

 

Mas nessa noite ele estava vestido a caráter como se fosse um típico gaúcho, pois usava bombachas e calçava botas de cano longo. Seu Belmiro dançava fandango com ninguém, revelando

muita alegria e conhecimento acerca daquela peça folclórica.

 

Ele dançou, acompanhado de Dona Cicília, sua esposa, uma mulher muito simpáticas e generosa. Na ocasião, ela vestia uma saia de chita franzida e uma blusa branca de mangas compridas, adornada de rendas de bilro nos punhos e na gola. Ela inda calçava tamancas de madeira e couro, meias brancas até meia canela, até a altura da saia e lenço também branco na cabeça.

 

Dona Cecília também conhecia a evolução do fandango que se constituía de um sapateado o qual as pessoas dançavam aos pares.

 

Para tal, todos os casais se posicionavam perfilados na entrada do salão para então dançarem, um par cada vez, ao som da rabeca, do cavaquinho e do pandeiro.

 

Eles haviam de evoluir durante essa dança em direção ao pequeno palco daquele salão. E lá fora instalada uma mesinha e sobre ela destacava-se uma imagem de São Gonçalo. Ao lado do santo 1 Realizado em Portugal desde o Século XIII, essa tradição chegou ao Brasil em princípios do Século XVIII, com os fiéis de São Gonçalo de Amarante. São Gonçalo de Amarante é festejado principalmente a 10 de janeiro. Conhecido como santo casamenteiro (e violeiro), tornou-se padroeiro em diversas localidades, e por essa razão são promovidas celebrações que incluem missas e romarias, especialmente em Amarante (Portugal), e São Gonçalo (RJ).

 

Havia ainda uma vela acesa, um vasinho com flores, uma moringa de consertada (uma espécie de licor caseiro) e um copinho de argila.

 

Cada casal dançaria em ritmo de sapateado até chegar a esse modesto “altar” e, ao bater os pés no acoalho de madeira, faziam muito barulho.

 

Em frente àquela mesa, o casal haveria de parar e fazer uma continência a São Gonçalo. Eles também beberiam um gorpinho (golinho) de consertada e imediatamente continuariam aquele sapateado, porém em marcha ré.

 

Seu Bermiro (assim ele era conhecido) e Dona Cicilha, encabeçavam aquela dança. E os demais dançarinos da fila ficaram esperando até sua vez de dançar, antecedendo mãe e filho, pagadores da intrigante promessa.

 

Durante o fandango, cada casal iria sapateando até chegar à referida mesinha. Lá chegando, eles faziam a mesma continência a São Gonçalo e voltavam sempre sapateando e sem virar as costas

para o santinho. Quando chegavam perto da porta aqueles dois se afastavam para dar passagem aos novos dançarinos. E assim, sucessivamente, todos os casais dançavam e esse ritual adentrava até um bom pedaço da noite.

 

Era comum, no decorrer daquele tipo de fandango, ouvir-se uma cantoria, sempre em tom de agradecimento a São Gonçalo por uma graça alcançada. Nesse caso, os devotos fandangueiros estavam pagando uma promessa sui generis.

 

Todavia, antes de nossa família sair para esse evento, minha mãe nos contou sobre a graça alcançada. Seu relato fora uma coisa mais ou menos assim: “O filho de um lavrador vizinho caiu de uma árvore e se estrepou no chão, o que gerou uma grande ferida em sua bunda (glúteo). E depois aquilo evoluiu para uma erisipela numa das nádegas do rapaz, o que a medicina popular, por meio de benzimentos, banhos de assento, chás e unguentos não

surtiu meio de curá-la.

 

Diante disso, o pai do rapaz apelou para São Gonçalo a fim de que esse santo milagroso livrasse seu filho desse mal. E mediante promessa, o moço ficou curado!

 

Então, naquela memorável noite, os músicos convidados, como também os fandangueiros, cantariam uma composição, feita especificamente para aquela família, com a finalidade única de

agradecer aquela cura. De modo que, durante essa cantoria, alguns casais dançariam, juntamente com os pagadores de tal promessa, de modo particular o moço vitimizado naquele incidente, em agradecimento a São Gonçalo.

 

E para legitimar a promessa pela graça recebida, o fandango se deu no dia dez de janeiro, ocasião em que o rapaz deveria dançar com sua mãe enquanto o pai acompanhava aos trovadores:

 

‘Vieste pagá promessa, ora viva São Gonçalo,

Caísse dum pau abaixo, não sei como não morresse,

Que curou tua ferida, ora viva São Gonçalo!

Purisso aqui vieste, pra pagá tua promessa!

Que sarou o teu pisado, ora vivia São Gonçalo!

Enfiasse um pau no ... Ora viva São Gonçalo!

Não sei como não morresse,

Ora viva São Gonçalo!’”

 

Aquilo que era para se tornar um ato reverente, diante da

ingenuidade daquelas pessoas humildes, tornou-se algo jocoso que muito fez rir aos espectadores de tal folguedo.

Contudo, para quem conhecia aquele vernáculo caboclo, isso não

causou total espanto. Era comum as pessoas daquele lugar entenderem a palavra “cu” com o sentido de bunda. E anus era conhecido como “olho”.

Portanto, o acidente que vitimizou aquele rapaz ao menos não estrepou o “olho” das bundas, ou melhor, dos glúteos!

 

 

17

ENCERRAMENTO

CARNAVAL

39° EXERCÍCIO CONJUNTO DOS SONETISTAS CAPPAZes

 

O Carnaval chegou e traz folia, (Carlos Reinaldo)

muito confete, muita serpentina; (Hélio Cabral)

pés no chão na saudável alegria, (Salomé Pires)

corre nas veias muita adrenalina.  (Hélio Cabral)

 

Dos foliões que brincam com magia, (Neneca Barbosa)

às vezes, sem nenhuma disciplina, (Hélio Cabral)

cada cor se eterniza em fantasia, (Neneca Barbosa)

colorindo o retorno da rotina. (Salomé Pires)

 

Então, Rei Momo surge, alvissareiro (Carlos Reinaldo)

nos dizendo que a festa no salão (Salomé Pires)

irá ser para amigo e companheiro. (Neneca Barbosa)

 

Com nossas fantasias divertidas, (Hélio Cabral)

as marchinhas se tornam diversão. (Salomé Pires)

O Carnaval alegra nossas vidas! (Carlos Reinaldo)

 

                                                                                             

201ª CIRANDA CAPPAZ – PARTE LIVRE

 

01 ABERTURA

CANTO À NATUREZA E À PAZ (poema musicado IA)

Joyce Lima Krischke

 

1ª Estrofe

Deslizo nas asas do vento sul,

No rastro brilhante da lua azul.

Poetizo o amor, a vida e a paz,

Poesia é o alimento que me satisfaz.

2ª Estrofe

Canto a natureza em harmonia,

Minhas bandeiras do dia a dia.

Defendo os animais, as matas também,

Destruí-las jamais — isso não convém.

Refrão

A lua é minha eterna inspiração,

Ela sabe quem guardo no coração.

Me encanto ao ver o pôr do sol,

E ouço o canto do quero-quero no arrebol.

3ª Estrofe

Voo leve como um simples pardal,

Com liberdade plena, sem igual.

Entre perdas e ganhos da caminhada,

Sigo forte, valente, determinada.

Ponte

 

Vivo os instantes com emoção,

Olho o mar, canto minha canção.

Se a alma chora, eu sorrio, então,

Enterro as mágoas no mar ou no chão.

Refrão (repete)

A lua é minha eterna inspiração,

Ela sabe quem guardo no coração.

Me encanto ao ver o pôr do sol,

E ouço o canto do quero-quero no arrebol.

Final

Visto a roupa chamada felicidade,

Mesmo trazendo tons de saudade.

Sigo a estrada com fé e paixão,

Vivendo em paz… e cantando a canção.

 

Publicado em janeiro - 2026

 

PARTICIPANTES

 

Joyce Lima Krischke (01) ABERTURA

Lúcia Silva (03)

Neneca Barbosa (02)

 

02

O TRAJETO HUMANO

Neneca Barbosa

 

No seu caminho antropológico o ser humano

Depara-se com experiências inimagináveis,

Ora de caráter insensível neste mundo insano,

Ora transforma-se e cria sentimentos sublimáveis.

 

Tendo em sua natureza um modo contraditório,

É admirável pela capacidade de produzir.

Tem a necessidade de buscar sair do ilusório

E mergulhar fundo na transcendência do existir.

 

Caminha não se limitando à materialidade,

Humaniza-se e dá significados à existência.

Segue por veredas que compõem a diversidade,

Adquire conhecimento que dilata a consciência.

 

Vai reconstruindo com luta seu universo interior.

Nele surge uma flor de lótus que, por sua vontade,

Emerge da água lodosa do seu entorno exterior,

Elevando seu espírito que sai da obscuridade.

 

João Pessoa, PB

 

03

O ALERTA NO ALTO DA ÁRVORE

Lúcia Silva

 

No alto da árvore, a ave

Parece o mundo alertar

Grita forte: “atenção!”

Pra humanidade escutar

O mundo precisa de paz

A guerra deve cessar!

 

Chega de tanta maldade

De sangue já derramado

Nas ruas, lares e praias

Vê-se o crime acobertado

Jovens, crianças, idosos

Por ódios sacrificados

 

Crueldade contra os bichos

Segue livre, impune e fria

Fere o fraco sem defesa

Sem justiça ou garantia

Quem maltrata um inocente

Também perde a própria via

 

Toda vida indefesa

Merece zelo e respeito

Gente má e monstruosa

Deve pagar o mal feito

Seja rico ou miserável

Punição para o sujeito

 

A ave segue alertando

E pede à humanidade

Erga a bandeira da paz

Da empatia e da bondade

Seu grito ecoa: atenção!

Propague fraternidade!

 
 
 

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