top of page

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM

A discussão é antiga, mas frequentemente alimentada nos bastidores dos educandários, com os comentários que seguem:

— A dificuldade de aprendizagem continuará sendo a moléstia sem cura deste milênio, diz um professor, incitando o diálogo.

— Perdoe-me amigo professor, se interfiro, mas tenho escutado muito esse comentário sem nenhuma justificativa plausível!

— Mas é verdade, corrobora outro, expondo a sua visão: o aluno não gosta de vir à escola. Tem seu lar desestruturado e com isso, os pais nos enviam, como se fôssemos os salvadores da pátria. O mais incrível é que esperam que façamos milagres e os “‘aturem,”’ admitindo todos os desmandos que causam.

— Todos os seus alunos apresentam a mesma dificuldade?

— Grande maioria vem apenas pela comida, interfere outro. Depois de alimentados, são encaminhados às salas de suas respectivas séries. Para quê? Não estão minimamente preocupados com o aprendizado porque, fazem o professor de cobaia.

— Já tiveram a preocupação de conversar isoladamente com eles para descobrir o que realmente provoca a aversão pela escola?

— A escola é um “saco” para eles, afirma outro sem piedade e deixa ainda mais evidente a ênfase de que não existe solução.

— Pelo que estou observando os senhores afirmam que esse quadro se prolifera em todas as escolas, é isto?

— Se acontece em todas, eu não sei, mas nesta comunidade a situação é terrível, eles não prestam atenção na aula, afirma o mesmo que deu inicio à inflamada conversa.

— Então esta escola não está mais apta a construir os que aqui se matriculam, é isto?

Fica um silêncio, mas logo interrompido por alguém que interfere ansiosa com a notícia que estava atravessada na garganta: alguém leu a matéria que saiu recentemente em um jornal de circulação nacional, onde aponta o Brasil em último lugar, em se tratando de os jovens analisarem um texto? — Como fariam se não Lêem?

— Vocês leram também em uma revista importante que os jovens de hoje, estão mais inteligentes dos que os de antigamente?

Novo silêncio e novamente entra a baixa alto-estima da conversa: perguntei para um aluno o que ele mais gosta da escola. Com a maior petulância me respondeu: da saída...

— E se mal lhe pergunto: tentou ao menos questionar o porquê de todos os dias, esse mesmo aluno insiste em vir voluntariamente para a escola?

— O que o senhor nos sugere, se não concorda com nada do que estamos falando, arrisca alguém que ainda não havia opinado?

— Darei algumas dicas que apresentaram resultados promissores em alguns educandários. Não existe nenhuma dificuldade em adotar tais medidas, porém que o sucesso vai depender de um pouco de boa vontade de cada um.

Sugerir sem vivenciar. Indicar sem ter praticado. Ter conhecimento de que a posição em que se encontra o Brasil diante do mundo, em se tratando de educação, não é a mesma do futebol, nos leva a repensar, ou pelo menos tentar mudar toda esta visão. Esta mudança só efetivará se começar por nós, aqui e agora.

10 pequenas poções mágicas para a educação

1 – Um bom diálogo com o grupo consegue milagres. Cada vez que isso acontece, surgem dúvidas, receios, medos, mas com simplicidade e respeito são resolvidos grande parte das situações que impedem o intercâmbio de aprendizagem.

2 – Quando o educando tem problema em casa, muitas vezes ele busca na escola a válvula de escape, para dar vazão aos seus dilemas. Não encontrando nenhuma que lhe inspire confiança, usa a arma da indisciplina para chamar a atenção.

3 – Se a aula for dinâmica e motivadora, não existe nenhuma razão para a explosão de rebeldia. O aluno quer novidade. Se oferecer algo nesse sentido, o resultado é promissor e a disciplina será parte integrante desse todo.

4 – A criação de um veículo interno de comunicação também é bem-vinda. Esse veículo pode ser em forma de jornal interno, mural, ou qualquer outro, aceito pela maioria. Cada vez que o grupo for valorizado pelo trabalho em equipe, fica fortalecido e estimula ao menos participativo à voluntariamente dedicar-se com mais afinco.

5 – Incentivar a formação musical, teatro, leituras espontâneas, recitais de poesias, trovas, principalmente de autoria do grupo, é permitir que o resultado se apresente antes de qualquer estresse pela não tentativa.

6 – Investir a cada final de mês, na formação de novos grupos, facilita a evolução homogênea. Digamos que a sala tenha 32 alunos. Pode ser formado até 08 grupos de 04 alunos. É apenas uma sugestão. Mas digamos que se faça uma proposta de trabalho com livros. Imaginem o crescimento se for utilizado para cada equipe um livro diferente?

7 – A Internet é uma ferramenta indiscutivelmente sedutora. Apresenta novidades a toda hora. Façamos tal observação de forma mais promissora: digamos que um grupo, em se tratando de apresentar um trabalho de pesquisa, simplesmente imprimir de alguma página virtual, e tirar a melhor nota pela qualidade do trabalho, mas se na seqüência for descoberta a fraude por outra equipe lesada, inibirá outras tentativas.

8 – Não é difícil praticar aulas estimulantes, se usar a imaginação com criatividade e bom senso. O exemplo que segue, funciona de forma miraculosa. É possível fazer um belo trabalho, usando um recorte de jornal, uma abordagem inteligente de matéria televisiva. Cada situação pode aguçar a massa crítica do jovem e trazê-lo de encontro com a aprendizagem sem amordaças.

9 – A globalização é uma realidade sem volta, todavia, as informações são fragmentadas por interpretações errôneas. Trazendo essas realidades contemporâneas para o intercambio cultural, é a possibilidade de provar que a dificuldade de aprendizagem está na forma de compartilhar o que se sabe, e não em afirmar que o problema do aluno é psicológico, ou de desvio de conduta.

10 – No inicio do ano, foram testadas essas mesmas dicas em algumas escolas que resistiram, mas aceitaram o desafio. Muito bem! Deu-se inicio em uma turma sem conserto com o diálogo da igualdade. Se foi fácil, de forma alguma! Com tolerância, paciência e prudência, o resultado foi se firmando. No final do ciclo o que era impossível aconteceu. Os bandidos viraram mocinhos e concluíram o ano como os melhores da escola. Isso não é utopia! É a prova viva de que ao doar-se, o melhor de si, pratica-se, sobretudo a pedagogia do amor. Vale a pena tentar...

Um professor atualizado com informações paralelas é a promessa de que nem tudo está perdido. Se para cada doença temos algum remédio, porque não experimentarmos as prescrições homeopáticas, dos livros, das revistas, dos artigos, do compromisso com as adaptações que nutrem os responsáveis por uma educação alegre e promissora.


Josias Moreira de Alcantara – poeta – escritor, educador, trovador e professor – e.mail- j.a.clean2014@gmail.com

14 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Commentaires


bottom of page